Como conseguir clientes de passadeira
Passar roupa é trabalho pesado e ninguém vê. Você gasta a manhã inteira no ferro, entrega a cesta impecável, e mesmo assim ouve 'mas é só passar umas pecinhas, né?'. O problema raramente é a falta de gente que odeia passar roupa — esses estão em toda esquina. O problema é que essa gente não sabe que você existe, e quando descobre, não sabe se pode confiar a roupa boa na sua mão.
Este artigo é sobre transformar passar roupa em renda de verdade: quanto cobrar por cesta, por peça e por hora sem trabalhar de graça, o que você precisa pra começar hoje (quase nada), e como encontrar clientes fixos no seu bairro que mandam a cesta toda semana. Sem fórmula mágica, com números que fecham.
Quanto cobrar pra não passar de graça
Existem três jeitos de cobrar e cada um serve pra um cliente. Por peça é o mais transparente pra quem manda pouca coisa: camisa social de R$ 4 a R$ 7, calça R$ 4 a R$ 6, lençol de casal R$ 8 a R$ 12, roupa de cama completa R$ 20 a R$ 30. Por cesta (volume fechado) funciona pra família: uma cesta padrão de máquina, com mistura de peças, sai de R$ 60 a R$ 100 por semana dependendo da cidade e de quanto vem amassado. Por hora é pra quem vai na casa do cliente: R$ 30 a R$ 50 a hora na maioria das capitais, mínimo de 2 horas pra valer o deslocamento.
O erro que come seu lucro é cobrar por peça e aceitar 'só mais essas aqui'. Feche o que entra na cesta antes de ligar o ferro e cobre peça extra à parte. Camisa de linho, prega, plissado e bordado dão muito mais trabalho que uma camiseta — tenha um valor 'difícil' (uns 50% a mais) pra essas. Some sempre o custo: energia do ferro a vapor (300 a 500 W de pico, mas roda intermitente), amaciante de passar, água destilada e seu tempo. Se a hora líquida sua ficar abaixo de R$ 25, você está pagando pra trabalhar.